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As “tendências homossexuais” do Papa Francisco

Quando [a homossexualidade] se manifesta na infância, a psiquiatria pode desempenhar um papel importante para ajudar a perceber como as coisas são. Mas é outra coisa quando ocorre depois dos vinte anos.

Foi assim que o Papa Francisco respondeu a perguntas de jornalistas sobre o que fazer quando uma família de depara ou suspeita que uma das suas crianças é homossexual.

Sempre houve pessoas com tendências homossexuais…“, continuou, acrescentando ainda: “Eu diria a um pai para orar, não para condenar, dialogar, compreender, abrir espaço para o filho e para a filha se expressarem.

Fica por perceber se a sugestão do apoio da psiquiatria é feita por algum tipo de trauma ou desvio, se as consultas são para pais e mães ou para as crianças que, Deus nos livre, poderão apresentar “tendências homossexuais”. Facilmente se percebe por que este discurso não é inocente ao colar mais uma vez a homossexualidade a uma realidade que precisa de apoio médico e, pior, ao fazê-lo décadas depois da mesma ter sido desconsiderada pela Organização Mundial de Saúde como uma doença.

Apesar do discurso positivo no sentido do diálogo entre os membros da família, é ensurdecedora a forma unilateral que a Igreja Católica continua a ter este tipo de discussão, até parece que, na realidade, não quer ouvir aquilo que profissionais de saúde e em especial as famílias têm a dizer sobre o que é ter um filho ou uma filha LGBTI.

Neste e noutros temas que assombram a Igreja Católica, importa cada vez mais que o diálogo tenha resultados concretos e se deixe de vez cair a lógica do secretismo ou da ignorância continuada e irresponsável que apenas perpetua o estigma que ainda persegue as famílias e suas crianças. Não é pois uma questão de tendência alguma, mas sim, definitivamente, de simples coerência.

Atualização 28/08/2018:

A Sala de Imprensa da Santa Sé corrigiu entretanto as palavras do Papa, retirando do comunicado de imprensa a referência à psiquiatria.

Ora, retirar a menção à psiquiatria do comunicado oficial não significa que não o disse e que não teve já a sua repercussão nas notícias pelo mundo fora. Mais, é uma tentativa de branqueamento daquilo que foi efetivamente dito. Ainda assim insistem na ideia de “tendências homossexuais” e que as ditas depois dos 20 anos mudam de paradigma (um caso perdido?). Venha a comunicação, mas em ambos os sentidos, não unilateral como é costume com a Igreja Católica, com ou sem adendas.

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