Twitter deseja-nos um “Feliz Mês da Transfobia”

Imagem do North Texas Daily

Feliz Mês do Orgulho. E para comemorar a ocasião o Twitter decidiu verificar a conta da LGB Alliance. À primeira leitura até pode estar a escapar algo e tudo isto parecer algo bom. Afinal uma rede social como o Twitter fazer a verificação, ou seja dar aquele check azul que garante relevância e autenticidade dos perfis associados, de um grupo que luta pelos direitos das pessoas com orientação sexual não normativa, é uma coisa boa, certo?

Só que não. A LGB Alliance é uma associação britânica que “promove os direitos das lésbicas, bissexuais e gays, de acordo com o sexo atribuído à nascença“. Aqui deveria soar logo um alarme, mesmo que não se conhecesse já esta associação. Não é o caso do Jack Turban, psiquiatra infantil norte-americano que se dedica à saude mental das crianças trans – e que escreveu há pouco tempo sobre a exclusão das raparigas trans no desporto escolar. Turban denunciou a verificação pelo Twitter e cedo foi inundado de mensagens insultuosas por parte de pessoas pertencentes a este grupo ou outros a ele adjacente. Eu próprio cometi o erro de comentar e lamentar a ação do Twitter e fui também eu logo alvo da mesma turba. Tudo bem, a função de denúncia e de bloqueio tem de servir para alguma coisa.

Mas o que é esta LGB Alliance? Provavelmente muitas e muitos de vocês já ouviram este nome se leram artigos sobre o que se tem passado nas Marchas do Orgulho no Reino Unido. Este ano, a comissão organizadora do Orgulho londrino, Pride in London, lamentou a decisão da Charity Commission reconhecer a LGB Alliance como uma organização com fins de caridade ou humanitários, organização com a qual já tinha cortado laços devido a ataques transfóbicos. Membros desta aliança, criada com o objetivo explícito de retirar as pessoas trans da luta LGBTI, foram identificados várias vezes por promoverem discursos de ódio em bares inclusivos e aquando da aprovação de leis de proteção de pessoas trans.

O overlap com o movimento TERF, de “feminismo” trans-exclusionário, é quase total, recusando reconhecer as pessoas trans como parte integrante da luta pelo fim da discriminação de género, admitindo apenas as mulheres que nascem com vagina como mulheres, os homens que nascem com pénis como homens e a bissexualidade como algo necessariamente binário e cisgénero. O problema aqui é que utilizam pseudoinformação para deliberadamente esconder a agenda de quem tem menos discernimento, o caso do Twitter e da agência governamental britânica que lhe deram reconhecimento. É, nada mais nada menos, que um grupo de ódio, como afirma o jornalista britânico Owen Jones.

E, nas redes sociais, caem em cima de qualquer pessoa com visões opostas à deles com ódio e em massa. Por isso disponham das ferramentas de denúncia e bloqueio providenciadas pelo Twitter para lidar com estas contas. Não entrem em diálogo porque ele não terá qualquer efeito senão atirar achas para a fogueira. O Mês do Orgulho é para todas e todos, mas eu cá pronunciou-me como TERF-exclusionário.


Ep.144 – Chicken Teriyaki: Club Q, Propaganda Russa e Qatar Dar Voz a esQrever: Notícias, Cultura e Opinião LGBTI 🎙🏳️‍🌈

O centésimo QUADRAGÉSIMO QUARTO episódio do Podcast Dar Voz A esQrever 🎙️🏳️‍🌈 é apresentado por nós, Pedro Carreira e Nuno Gonçalves. Retomámos o tema dos perfis em branco no Grindr português antes de falar dos assuntos da semana: o atentando terrorista e assassinato de pessoas queer no Club Q no Colorado, da lei aprovada no Parlamento russo que descrimina ainda mais as pessoas LGBTI e todo o sururu que tem vindo a ser este flop de Mundial de Futebol no Qatar. No final acabamos por Dar Voz A… Drag Race UK e a uma nova rainha coroada. E quem de facto merecia a coroa. Artigos mencionados no episódio: Vítimas do atentado ao Club Q identificadas e suspeito enfrenta acusações de crime de ódio Parlamento russo aprova lei que proíbe “propaganda LGBT” entre pessoas adultas Qatar 2022: Confiscados chapéus arco-íris do País de Gales Qatar 2022: Alex Scott, comentadora e antiga jogadora profissional, usa braçadeira “One Love” durante cobertura da BBC Qatar 2022: Inglaterra pondera recuar no uso da braçadeira One Love após FIFA ameaçar com cartão amarelo Música por Rosalía, Jingle por Hélder Baptista 🎧 Este Podcast faz parte do movimento #LGBTPodcasters 🏳️‍🌈 Para participarem e enviar perguntas que queiram ver respondidas no podcast contactem-nos via Twitter e Instagram (@esqrever) e para o e-mail geral@esqrever.com. E nudes já agora, prometemos responder a essas com prioridade máxima. Podem deixar-nos mensagens de voz utilizando o seguinte link, aproveitem para nos fazer questões, contar-nos experiências e histórias de embalar: https://anchor.fm/esqrever/message 🗣 – Até já unicórnios 🦄
  1. Ep.144 – Chicken Teriyaki: Club Q, Propaganda Russa e Qatar
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