O que a vitória de Duda na Polónia pode representar para toda a Europa

Hostilidade contra a população LGBTI foi a primeira coisa com a qual apoiantes de zonas rurais procuravam o seu voto e poderá ter-lhe valido a reeleição presidencial.

O Presidente polaco, Andrzej Duda, é o vencedor da segunda volta das presidenciais polacas, naquelas que foram as mais renhidas eleições dos últimos anos com 51,2% dos votos. A sua campanha focou-se nos valores da família tradicional e num ataque explícito à população LGBTI. O que significa então isto tanto para a população polaca como a da União Europeia?

Duda na campanha eleitoral para a segunda volta apostou forte num discurso contra os direitos da população LGBTI polaca, tendo afirmado que “estão a tentar convencer-nos de que são pessoas“. Focou a sua imagem como defensor dos “valores da família” através da apresentação de um pacote de medidas “pró-família”, que inclui compromissos como impedir o casamento igualitário, a adoção de crianças por parte de casais do mesmo sexo e a educação de entidades LGBTI nas escolas.

Essa estratégia parece ter surtido os seus efeitos nas zonas mais rurais, aquelas que tradicionalmente mais votam no partido Lei e Justiça (PiS). Muitas das pessoas eleitoras justificaram a sua escolha eleitoral precisamente com esse discurso. “O mais impressionante quando falei hoje com eleitores do PiS em pequenas cidades: grande avanço da campanha de Duda por causa da hostilidade aos direitos LGBT. Esta tendia a ser a primeira coisa com a qual os seus apoiantes procuravam o seu voto”, escreveu o jornalista Christian Davies.

Nos últimos anos, a retórica do Partido da Justiça e Desenvolvimento e da Igreja Católica contra o que consideram ser uma “ideologia” contrária aos valores tradicionais aumentou de tom, tendo havido atos violentos contra as Marchas do Orgulho LGBTI e vários municípios polacos declararam-se “zonas livres de LGBTI“. Esta é uma realidade que tem afectado a população LGBTI polaca, que tem medo de dar as mãos e que tem denunciado que viver naquele país tem sido como “regressar à Idade Média“.

É certo que o principal concorrente de Duda, Rafal Trzaskowski, do partido Plataforma Cívica, também se posicionou a favor dos direitos LGBTI e apoiou a celebração da Marcha do Orgulho LGBTI, em Varsóvia, quando foi autarca dessa cidade e conseguiu uma votação próxima dos 49% o que não deixa de ser promissor, mas também, infelizmente, uma tremenda oportunidade de mudança perdida. Sim, Duda venceu por uma unha negra, mas esta retórica de ódio contra as pessoas LGBTI na Polónia permitiu a sua reeleição e valida assim todo o seu discurso não apenas no seu país, mas a quem nele se rever e o quiser utilizar da mesma forma para alcançar uma posição de poder. Tudo isto acontece em plena União Europeia, considerada um dos estandartes na defesa dos Direitos Humanos mundial. Pergunto, se continuar a nada de concreto fazer, até quando?


As posições LGBTIfóbicas de Andrzej Duda estiveram em destaque no Podcast Dar Voz A esQrever 🎙🏳️‍🌈, oiçam:

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