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Euro 2020: UEFA rejeita iluminação arco-íris no estádio de Munique para o jogo entre Alemanha e Hungria

A UEFA recusou iluminar a Allianz Arena com cores do arco-íris em apoio aos direitos das pessoas LGBTI, uma decisão que o presidente de Munique classificou como "vergonhosa".

A UEFA, o órgão dirigente do futebol europeu, recusou um pedido para que a Allianz Arena de Munique fosse iluminada em cores do arco-íris em apoio aos direitos das pessoas LGBTI+, ao considerar que representaria uma declaração política.

Tanto ativistas LGBTI+ como a Câmara Municipal de Munique solicitaram a simbólica ação para o jogo da Alemanha contra a Hungria esta quarta-feira, dia 23, depois do Parlamento Húngaro adotar uma série de alterações que discriminam diretamente as pessoas LGBTI, nomeadamente através da proibição da “promoção da identidade de género diferente do sexo atribuído à nascença, da mudança de sexo e da homossexualidade” para menores de 18 anos. 

Em comunicado esta terça-feira, a UEFA disse que a ação teria sinalizado uma mensagem política e sugerido datas alternativas:

A UEFA, através de seus estatutos, é uma organização política e religiosamente neutra. Dado o contexto político deste pedido específico – uma mensagem que visa uma decisão tomada pelo parlamento nacional húngaro – a UEFA deve recusar este pedido“, diz o comunicado.

A UEFA propôs à cidade de Munique iluminar alternativamente o estádio com as cores do arco-íris a 28 de junho – o Dia da Libertação da Rua Christopher – ou entre 3 e 9 de julho, que é a semana do Dia da Rua Christopher em Munique.

Vários entidades políticas alemãs reagiram com decepção à decisão da UEFA, como o presidente de Munique, Dieter Reiter, que considerou mostrar as cores do Orgulho LGBTI noutro dia como uma “contraproposta ridícula“.

Acho vergonhoso que a UEFA nos proíba de dar o exemplo de diversidade, tolerância, respeito e solidariedade“, disse Reiter em comunicado.

Munique irá votar a favor de vestir a sua prefeitura com bandeiras do arco-íris e iluminar a Torre Olímpica. Reiter acrescentou: “Não deixaremos que a UEFA nos impeça de enviar um sinal forte para a Hungria.”

Para a maior organização LGBTI+ da Hungria, a Hatter Society, iluminar a Allianz Arena com cores do arco-íris nesta quarta-feira teria sido uma grande demonstração de apoio.

Como [o primeiro-ministro húngaro Viktor] Orban e [o seu partido no poder] Fidesz injetaram dinheiro infinito para o futebol, no sentido de se tornar numa fonte de orgulho nacional, ter que entrar num estádio iluminado com cores do arco-íris teria sido bastante irónico“, disse um porta-voz, referindo-se aos mais de 2 mil milhões de euros (2,4 bilhões de dólares) investidos em infraestrutura de futebol na Hungria pelo governo desde 2010. “Temos recebido imenso apoio de organismos internacionais, mas isso teria sido um sinal óbvio de solidariedade“, concluiu.

O jogador internacional alemão Leon Goretzka manifestou-se em apoio à iluminação do estádio ao dizer que a considera uma “ótima ideia“.

Outros clubes da Bundesliga prometeram preencher o vazio, como Colónia e Eintracht Frankfurt que planeiam iluminar os seus estádios com as cores do arco-íris durante a partida na Hungria.

Se a Munique não for permitido na quarta-feira, outros estádios do país terão que mostrar suas cores”, disse Alex Hellmann, porta-voz do conselho do Eintracht Frankfurt. “O Deutsche Bank Park ligará as cores arco-íris para o jogo contra a Hungria.”

Enquanto isso, o capitão da seleção alemã Manuel Neuer continuará a usar a braçadeira de capitão com as cores do arco-íris, que foi, ainda assim, objeto de investigação da UEFA.

Em contraste com a decisão sobre a iluminação da Allianz Arena, essa investigação concluiu que a braçadeira é um “símbolo da diversidade e, portanto, uma boa causa” e, portanto, não quebra nenhuma das regras da UEFA em torno de “símbolos políticos” que são proibidos e geralmente resultam numa multa para a federação do país em causa.

Em fevereiro deste ano, mais de 800 futebolistas alemães comprometeram-se a apoiar qualquer jogador ou jogadora de futebol que saia do armário como parte da campanha “Ihr könnt auf uns zählen” (“Podes contar connosco”) liderada pela revista de futebol 11Freunde:

É de recordar que precisamente no jogo de Portugal contra a Alemanha na semana passada, houve cânticos homofóbicos por parte da plateia húngara contra Cristiano Ronaldo. Para quando uma reação por parte da Federação Portuguesa de Futebol?

Atualização:

A ILGA Portugal deu “Cartão Vermelho para a UEFA“, apelando a um posicionamento da Federação Portuguesa de Futebol sobre este caso, nomeadamente através do hastear da bandeira do Orgulho LGBTI na sua sede, bandeira essa que já foi, aliás, enviada por correio pela própria associação.

Atualização 23 de junho:

A FPF reagiu e pintou o seu símbolo com as cores do arco-íris nas suas várias redes sociais:

O mesmo aconteceu com a Federação Portuguesa de Basquetebol:

E com o Sporting Clube de Portugal:

Outro detalhe de referência é que Viktor Orbán cancelou ida a Munique para assistir a jogo Alemanha-Hungria em reação às críticas perante a lei discriminatória da comunidade LGBTI húngara.


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